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Two golden eagles (2007)

Video Two golden eagles (2007)



Exhibition

2007 Cadmo e Harmonia, Casa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada

Book

2007 Cadmo e HarmoniaCasa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada

Bibliography

Ana Isabel RIBEIRO, "Lugares de construção" (*.pdf) "Construction locations" (*.pdf)
Emília FERREIRA, "No princípio era o desenho" (*.pdf) "In the beginning was the drawing" (*.pdf)


Dois aviões são filmados da janela de um aeroporto. Enquanto um se prepara para voar, o outro permanece estacionado na pista. O cenário muda constantemente. Num incessante vai-e-vem de cargas e descargas, há aviões que aterram e outros que levantam voo. "Os aviões são ás águias de oiro do colar de Harmonia. As duas aves que impedem a mordedura das duas serpentes que compõem o corpo do colar. As aves impossibilitam o enlace fatal dos répteis, o anel mortal do tempo, a consumação do ciclo perfeito e, simultaneamente, o desastre, o regresso ao caos. [...] Os aviões, mesmo com biografias de guerra, também são guardiões de paz. Mas hoje, no fundo do nosso medo, eles simbolizam constantemente outras perdas. 
Eis mais uma metamorfose. As águias transformadas em aviões já não são as aves salvadoras. Lá dentro, no seio do corpo metálico, somos Ícaros esperando não chegar demasiado perto do sol. Há sempre os que temem desafiar os deuses. Por muito alto que sonhem.
À parte esse medo de sempre, o que hoje nos prende é a possibilidade de
sermos reféns de outros cavalos de Tróia. No ventre dessas águias enormes somos presas fáceis. Incapazes de voar pelos nossos próprios meios, ficamos à mercê da perícia de uns e da desmesura de outros. Não há fios que nos segurem. É o regresso das Erínias" (Emília Ferreira, “No princípio era o desenho”, in “Manuel Valente Alves – Cadmo e Harmonia”, catálogo da exposição, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada, 2007).


Two planes are shot from an airport window. While one prepares to fly, the
other remains stopped. The scenery changes constantly. A ceaseless back-and-forth of loading and unloading, there are airplanes landing and others who take flight. Airplanes are the golden eagles of Harmonia’s collar. The two birds that keep the two serpents that form the body of the collar from biting. The birds prevent the fatal union of the reptiles, the mortal ring of time, the consummation of the perfect circle and, simultaneously, disaster, the return to chaos. [...] Airplanes, even with their biographies of war, are also guardians of peace. But today, at the base of our fear, they constantly symbolize other losses.
Behold, yet another metamorphosis. The eagles transformed into airplanes are no longer the saving birds. There inside, in the bosom of the metallic body, we are Icaruses hoping not to come too close to the sun. There are always those who fear to defy the gods. No matter how high they dream.
Besides this ever-present fear, what imprisons us today is the possibility of
being hostages of other Trojan horses. In the belly of these enormous eagles, we are easy prey. Unable to fly on our own, we are at the mercy of the skill of some and the incivility of others. There are no wires to hold us. It is the return of the Furies" (Emilia Ferreira, "In the beginning was the drawing", in “Manuel Valente Alves - Cadmus and Harmony”, exhibition catalog, Casa da Cerca - Centre for Contemporary Art, Almada, 2007).