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Gifts endowed with a mind (2007)

Video Gifts endowed with a mind (2007)


Exhibition

2007 Cadmo e Harmonia, Casa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada

Book

2007 Cadmo e HarmoniaCasa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada

Bibliography

Ana Isabel RIBEIRO, "Lugares de construção" (*.pdf) "Construction locations" (*.pdf)
Emília FERREIRA, "No princípio era o desenho" (*.pdf) "In the beginning was the drawing" (*.pdf)


Com a câmara fixa ao corpo, o operador não se distingue da multidão. Eu e os outros. "Sartre escreveu, cinicamente, que o inferno são os outros. Referia-se à impossibilidade de escaparmos ao juízo dos outros, fazendo da consciência uma obrigatoriedade. Não posso ser como quero, fazer tudo o que me passa pela cabeça, sob pena de padecer as duras penas da responsabilidade e da lei. Os outros são uma consciência imposta, uma repressão sobre o eu. 
No entanto, os contadores de histórias, os inquiridores do mundo, os espíritos mais inquietos e benfazejos, fazem também parte do outro.  
Husserl, que dominava menos o floreado do verbo do que Sartre, mas que era mais íntimo da emoção do logos e dos segredos da sua partilha, sabia que não era assim. O outro não é o inferno. É quem se chega ao pé de nós junto ao fogo para desfiar o fio narrativo. O outro, como qualquer letra do alfabeto, só funciona num código múltiplo, num jogo de encontros e desencontros, de um tecido que, mesmo rasgado e em farrapos, continua a trazer a memória das carícias à nossa pele cansada." (Emília Ferreira, “No princípio era o desenho”, in “Manuel Valente Alves – Cadmo e Harmonia”, catálogo da exposição, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada, 2007)

With a camera attached to the body, the operator walks into the crowd. Me and others. “Sartre wrote, cynically, that hell is the others. He was referring to the impossibility of escaping the judgement of the other, turning our conscience into an obligation. I cannot be as I wish, do everything that comes to mind, on pain of suffering the harsh penalties of responsibility and the law. The others are an imposed conscience, a repression of my ego.
However, the storytellers, the enquirers of the world, the more restless
and beneficent spirits, are also a part of the other.
Husserl, who did not have the command of the flourish of the word as well as Sartre, but who was more intimate with the emotion of the ‘logos’ and the secrets of how to share it, knew it was not so. The other is not hell. It is the one who comes up to us next to the fire to challenge the narrative line. The other, as any letter of the alphabet, only functions in a multiple code, in a game of hide and seek, part of a cloth that, even though torn and in tatters, continues to cause our tired skin to remember the caresses.” (Emilia Ferreira, “In the beginning was the drawing", in “Manuel Valente Alves - Cadmus and Harmony”, exhibition catalog, Casa da Cerca - Centre for Contemporary Art, Almada, 2007)