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Princípios da Perspectiva Linear (1994)

Installation Princípios da Perspectiva Linear [Linear Perspective Principles] (1994)


 

Photographs 160 x 120 cm each (with frame)
 
 

View of the exhibition. National Museum of Natural History, Lisboa, 1994


Exhibition sponsored by Calouste Gubenkian Foundation



"Manuel Valente Alves apresenta seis trabalhos, seis caixas negras enquadrando o confronto entre uma imagem fotográfica retrabalhada e saturada de cor (azul) e um traçado geométrico - o conjunto tem por título Princípios da perspectiva linear. Desta vez, passamos do confronto entre imagem e não-imagem fotográfica (presentes em anteriores exposições, Hotéis e Cassandra) para o confronto entre o informe da fotografia, ou melhor, da imagem que regista o desfazer de uma vaga e o formalismo geométrico de cada traçado.

O informe está na fotografia e a forma está no traçado que foi particularmente escolhido: trata-se sempre de um esquema fundador da visão perspéctica e monocular que domina a pintura desde o Renascimento aos fins do séc. XIX, e que é, também, o princípio fundador das máquinas ópticas, que estiveram na raiz da descoberta da fotografia. Em cada caixa, em cada imagem dupla, cada componente, remete para o seu par, num jogo que se abre a infinitas simulações. Que coisas são estes objectos, estas caixas negras? Eles trazem a memória de duas disciplinas, fotografia e pintura; eles não querem ser nem uma coisa nem outra, constituindo-se num objecto híbrido, novo, que se institui como uma interrogação sobre si mesmo. Ruptura? Não o creio. Dúvida, sim.

Porém, encenada e construída como meticulosidade, com particular empenho na visualidade e acabamento de cada objecto bem como no efeito de conjunto. […]

Nos anos 90, a pintura e a fotografia concorrem [em Manuel Valente Alves] para a criação de objectos em que predomina o suporte fotográfico e, possivelmente, a presença pictural, objectos que são interrogações sobre a imagem, primeiro, sobre a não-imagem, depois. Agora, entre a forma e o informe, estas caixas aparecem-nos como objectos finais, tendo porém raízes, passado, tradições, e funcionando como uma dúvida em aberto quanto ao futuro. […]

Com Valente Alves podemos verificar como essa meditação sobre o fim e os limites é um assunto que nos aparece, neste final do século, como interminável, gerando mimetismos, dúvidas, interrogações, que cada geração sente a necessidade de reactualizar." (José Luís Porfírio, “Pintura: o fim interminável”, Jornal Expresso, Lisboa, 12 de Março de 1994)



“Manuel Valente Alves presents six works, six black boxes framing the confrontation between a photographic image reworked and color (blue) saturated of color (blue) and a geometric and a diagram the installation is entitled Principles of Linear Perspective. This time, we pass from the confrontation between image and photographic non-image (present in previous exhibitions, Hotels and Kassandra) to the confrontation between the inform of the photographs, or rather the image that records the unfolding of a wave and the geometric formalism of each diagram.

The inform is on the photo and the form is on the diagram that was particularly chosen: it is always a founder scheme of perspectival and monocular vision that dominates the painting from the Renaissance to the end of the XIX century. This scheme is also the founding principle of optical machines, which were on the roots of the discovery of photography. In each box, each double image, each component refers to its pair, in a game that opens endless simulations. What things are these objects, these black boxes? They bring the memory of two disciplines, photography and painting; they do not want to be neither one thing nor the other, constituting a hybrid object, again, that is established as a question about himself. Break? I think not. Doubt, yes.

However, scenery and constructed as meticulousness, with particular emphasis on the visuality and the finishing of each object and on the effect of the whole. [...]

In the 90s, painting and photography compete [in Manuel Valente Alves] to create objects where predominates the photographic support and possibly the pictorial presence, objects that are interrogations about the image, first, and about the non-image, after. Now, between the form and the formless, these boxes appear to us as final objects, but having roots, past traditions, and working as a question that opens to the future. [...]

With Valente Alves we can see how this meditation about the end and the limits is a subject that appears, in this end of the century, as endless, generating mimicry, doubts, questions, that each generation feels need to re-actualize.” (José Luís Porfírio “Painting: the endless end”, Jornal Expresso, Lisbon, March 12, 1994) 


 

Exhibitions

1994 Princípios da Perspectiva Linear, Museu Nacional de História Natural, Lisboa
1997 Livro de Viagens - Portugiesische Photographie 1854-1997, Fankfurterkunstverein, Frankfurt [curators: M. Tereza Siza, Peter Weiermair]
1998 Livro de Viagens - Fotografia Portuguesa 1854-1997, Centro Português de Fotografia, Porto [curators: M. Tereza Siza, Peter Weiermair]
1998 Livro de Viagens - Fotografia Portuguesa 1854-1997, Centro Cultural de Belém, Lisboa [curators: M. Tereza Siza, Peter Weiermair]


Selected bibliography

João Lima PINHARANDA,
Do ponto de vista do homem (*.pdf)
Margarida MEDEIROS, O corpo e o pensamento (*.pdf)
José Luís PORFÍRIO, Pintura: o fim interminável (*.pdf)