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Just Reality (2002)

Installation Just Reality (2002)

with Nina Szielasko (voice) and Jorge Palma (music)
 
     

Partial views of the installation. Centro Português de Fotografia, Porto, 2002


“Manuel Valente Alves oferece-nos o discurso entrecortado do quotidiano em imagens que se sucedem no ritmo da vida. Acontecimentos onde os movimentos dos indivíduos e dos grupos perpassam com a desorganização aparente que encontramos no cadinho da gota de água onde se agitam amebas e paramécias. Cidades do mundo, aeroportos, trânsito que cruza ruas e estradas, abertas na superfície como caminhos de bichos efémeros, que por vezes nos levam a um jardim ou desaguam numa praia, trânsito de contentores de almas e mercadorias que se interrompe, obedecendo apenas, porque nos achamos distanciados, a uma geometria fractal, relativa mas persistente. Inteligível, porque é assim que somos. Como no discurso do consciente, abertas as portas da memória, as mesmas imagens repetem-se, olhares de fora para dentro onde se vão sinalizando, aqui e ali, os referentes de vida pessoal do autor, como dispositivos-farol de identificação e recuperação da memória guardada.
Conhecemos o mundo, afinal, através dessas imagens imateriais e dos símbolos que elas transportam, porque são imagens de manufactura humana. Estas imagens referem não a realidade concreta, ou aquilo que consideramos concreto fora de nós, mas a nossa vida interior.
Este delírio de luz e sombra e movimento que enche as ruas, os cantos e as esquinas, as instituições que identificamos com edifícios, as próteses efectuadas sobre a Natureza e sobre o destino do homem que caminha sobre betão em ar climatizado, é-nos não só familiar, mas sinal de pertença. Foi-nos agora, é-nos num indeterminado amanhã, neste presente expandido que os Media nos vão oferecendo e fazemos nosso. Em frente à complexidade do mundo, mesmo em diferido, essa teoria de evolução que é o nosso olhar e o nosso corpo segregam um manual de síntese do entendimento imediato, que é a globalização da experiência e a memória dessas conversas que o entendimento, ao que dizem,desenvolve consigo mesmo. Aí, o gosto, a justiça e verdade, bordões fundamentais da nossa forma de lidarmos com as coisas e com os homens, unem-se com aquela espontaneidade que Kant laboriosamente lhes negou.“ 
(Maria do Carmo Serén, “Redes” in “Just Reality”, DVD, 2002, Porto, Centro Português de Fotografia)

“Manuel Valente Alves gives us the intermittent speech of daily life, in images that follow one another according to the rhythm of life. Events across which the movements of individuals and groups flit by with that apparent lack of organization we find in the crucible of a drop of water where amoebae and paramecia stir about. Cities of the world, airports, traffic in streets and roads, cutting the surface like the tracks of ephemeral animals, sometimes leading us to a garden or a beach, a discontinuous traffic of bodies and merchandise containers, obeying only, from our distant vantage point, a fractal and relative, yet persistent geometry. This geometry is intelligible to us because we are made so. As in the discourse of the conscious mind, once the gates of memory are open, the same images repeat themselves, in an outside-looking-in process, where, now and then, references from the author’s personal life can be spotted, like beacons allowing for the identification and recovery of stored memory.
After all, it is through such immaterial images and the symbols they carry that we know the world, being human-made images. These images refer neither to concrete reality nor to what we see as concrete outside us, but to our inner life. This ecstasy of light, shadow and movement filling every street, every corner, every angle, these institutions we identify as buildings, these prosthesis implanted on Nature and the fate of men, running on roads in air conditioned ambient, are, more than familiar to us, a sign of belonging. It is so today, it will be more so tomorrow, in this extended present the media offer us to make our own.
Even while indirectly facing the world’s complexity, this theory of evolution, that is our gaze and our body, segregates a handbook of immediate understanding, which is both the globalisation of experience and the memory of these conversations that understanding, it is said, holds with itself. There, taste, justice and truth, the mainstays of our dealings with things and men, unite with the spontaneity that Kant laboriously denied them.“
(Maria do Carmo Serén, “Webs” in “Just Reality”, DVD, 2002, Porto, Portuguese Center of Photography)


Exhibition

2002 Just Reality, Centro Português de Fotografia, Porto


Selected bibliography

Maria do Carmo SERÉN, Redes (*.pdf) Webs (*.pdf)