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Imagens (1989)

Installation Imagens [Images] (1989)

  

Acrilic on canvas 150 x 150 cm | photograh 50 x 50 cm

 

Drawing, painting, photograph and collage on paper  27 x 147 cm (
with frame)



"Uma paisagem e uma natureza-morta, duas imagens fotográficas preexistentes a estes trabalhos e que no seu efeito desencadeador, neles se desenvolvem como objectos de uma obsessiva perseguição do olhar. Um olhar que se quer errante e sem limites, experimentando agora a criação de áreas de permissividade para essa aproximação visual. Ao utilizar em simultâneo fotografia, grafite, óleo, acrílico e colagem, Manuel Valente Alves desenvolve uma estratégia de contaminação que ficciona a aparência dos objectos. [...]
O processo não é acumulativo mas totalizador. Ou seja, o uso de técnicas várias não pretende o esgotamento da representação da realidade, mas o questionar do seu sentido interior, a amplitude da sua existência. Olhar uma paisagem ou um objecto, escolher e executar um dos seus possíveis contornos, fotografar essa acção. Três tempos de uma visualidade que se inquieta perante os limites da percepção. Como se comporta a imagem fotográfica de um jarro no tecido da tela, no sentir de um outro território. Ou como existe a mesma paisagem na expressão matérica das tintas e na superfície lisa de uma fotografia.
Os objectos deslocam-se no seu espaço de existência, transformam-se, expostos a diferentes campos de reacção. Os sinais propagam-se elipticamente, alastram como elementos estranhos ao funcionamento específico do corpo destes objectos. Como se o seu autor os deixasse abandonados ao efeito devastador de um vírus. A paisagem é devassada. Só a realidade permanece intacta.
Embora com uma matriz comum, os diferentes processos não se complementam. Provocam-se e reagem sob um efeito de um curto-circuito, e determinam sentimentos de estranheza ou de súbita revelação, que percorrem todo o espaço circunscrito destes trabalhos. Um espaço reservado que resulta da prática amorosa de um voyeur que persegue o sentido mais íntimo do seu território pessoal, de deliberada exclusão mundana. Se o olhar percorre as superfícies, a sua mobilidade é interior, nos rigorosos limites da inquietação e de exigência narcísica."
(Helena de Freitas, “Prefácio” in desdobrável da exposição ”Imagens”, Galeria Diferença, Lisboa, Novembro de 1989)

"A landscape and a still life, two photographic images pre-existent to these works and in their triggering effect, they develop into objects of an obsessive pursuit of the gaze. A look that wants to be wandering and without limits, now experiencing the creation of In addition to the use of photography, graphite, oil, acrylic and glue, Manuel Valente Alves develops a contamination strategy that fictionalizes the appearance of objects. [...]
The process is not cumulative but totalizer. That is, the use of various techniques does not pretend the exhaustion of the representation of reality, but the questioning of its inner meaning, the breadth of its existence. To look at a landscape or an object, to choose and to execute one of its possible contours, to photograph this action. Three times of a visuality that is disturbed by the limits of perception. How behave the photographic image of a jug in the fabric of the screen, in the feel of another territory. Or how there is the same landscape in the matter expression and the smooth surface of a photograph.
The objects move in their space of existence, they become, exposed to different fields of reaction. The signals propagate elliptically, spread as elements foreign to the specific operation of the body of these objects. As if its author left them abandoned to the devastating effect of a virus. The landscape is devastated. Only reality remains intact.
Although with a common matrix, the different processes do not complement each other. They provoke and react under the effect of a short circuit, and determine feelings of strangeness or sudden revelation, which run through the whole circumscribed space of these works. A reserved space that results from the loving practice of a voyeur who pursues the most intimate sense of his personal territory, of deliberate worldly exclusion. If the gaze traverses the surfaces, its mobility is interior, in the strict limits of the restlessness and narcissistic exigency. "
(Helena de Freitas, "Preface" in foldout of the exhiibition "Pictures", Gallery Diferença, Lisbon, November 1989)



Exhibition

1989 Imagens, Galeria Diferença, Lisboa 


Bibliography

Helena de FREITAS, "Prefácio" (*.pdf)