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Hotel Europa (1998)

Installation Hotel Europa (1998)


View of the installation. Canal Isabel II, Madrid, 1998



"Hotel Europa é uma instalação vídeo realizada a partir de imagens capta­das numa viagem de comboio entre Viena e Praga. Manuel Valente Alves trabalhou a velocidade das imagens, criando diferentes ritmos sob um pano de fundo de aceleração. Paisagens rurais e urbanas cruzam de modo descontínuo e acelerado o campo de visão. Os planos alternam entre aproximações e afastamentos, ora fixos, ora manuais, afastando-se o resultado de qualquer ideia de registo paisagístico documental. À sequência visual, junta-se uma componente sonora criada a partir da música de compositores europeus de algum modo identificados com aquelas regiões do centro da Europa.

Desde logo, a música estabelece um pólo de interioridade, uma velocidade individual que recebe o visto como uma veloz abstracção colorida. A relação entre imagem e som gera então algo que podíamos denominar como uma diferença de andamentos que, simultaneamente, demarca um campo colectivo e outro individual, ao mesmo tempo que distingue a ideia de uma Europa histórica, credora de nostalgia, um presente de desequilíbrios onde estão há muito inscritos sintomas de decadência. Valente Alves faz transitar essa memória colectiva para um embate individual e solitário.

Em última instância este é um exercício de reconhecimento e reinterpretação que toma a paisagem como ponto de partida para o encontro com uma realidade que não se pode assimilar pelo mero contacto visual. Enredada em impasses geo-estratégicos e tutelada pela superpotência que resta, a Europa é um lugar nostálgico de grandezas passadas. A embriaguez indiferenciada presente nas imagens parece fixar o estado de inconsciência colectiva que se apossa de impérios, regimes e civilizações no momento histórico exactamente anterior ao declínio. No filme La Haine de Mathie Kassovitz, uma anedota inicial estabelecia um programa para todo o filme, um homem caía de uma grande altura e enquanto caía repetia para si mesmo “até aqui tudo bem”. Hotel Europa constata de modo subjectivo esse estado de suspensão melancólica da consciência colectiva. O desconhecimento de si-próprio instalado em cada um que permite dizer: “Até aqui tudo bem, até aqui tudo bem”". 
(Celso Martins, “Quedas e declínios”, Jornal Expresso, Lisboa, 21 de Setembro de 1998)



Hotel Europa is a video installation made from images filmed on a train journey between Vienna and Prague. Manuel Valente Alves worked the speed of the images, creating different rhythms under an acceleration backdrop. Rural and urban landscapes cross in a discontinuously and accelerated mode the field of vision. Plans alternate between approaches and departures, sometimes fixed and sometimes manually. The result is far from any idea of ​​a landscape documentary record. To the visual sequence, is joined a sound component created by European music composers that are, in some way, identified with those regions of central Europe.

First, the music sets a pole of interiority, an individual speed that gets the seen as a fast colored abstraction. The relationship between image and sound generates then something we could call as a progress difference that simultaneously delineates a collective field and another one individual, distinguishing at the same time the idea of ​​a historical Europe, creditor of nostalgia, a present of imbalances, where have been long registered symptoms of decay. Valente Alves moves that collective memory to an individual and lonely struggle.

Ultimately this is an exercise of recognition and reinterpretation that takes the landscape as a starting point for the meeting with a reality that can not be assimilated by the simple visual contact. Entangled in geo-strategic impasses and governed by the only existent superpower, Europe is a nostalgic place of past grandeur. The undifferentiated drunkenness present in the images seems to fix the collective unconscious that takes possession of the empires, regimes and civilizations exactly in the historical moment that precedes the decline. In the film La Haine by Mathie Kassovitz, an initial anecdote established a program for the entire film, a man fell from a great height and during the fall he repeated to himself  ‘until now everything is okay’. Hotel Europa finds in subjective way this melancholic suspension state of collective consciousness. The lack of self installed in each one that allows to say: ‘Until now everything is okay, until now everything is okay.” 

(Celso Martins, “Falls and declines”, Jornal Expresso, Lisbon, September 21, 1998)





   
 

video stills


Exhibitions

1998 Observatorio - Fotografía Portuguesa Contemporanea, Canal Isabel II, Madrid [curator: João Lima Pinharanda]

1998 Sessão Contínua (com Noé Sendas), CAMJAP, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa [curator: João Lima Pinharanda]



Selected bibliography

João Lima PINHARANDA, ... em sessões contínuas... (*.pdf)
Luísa SOARES DE OLIVEIRA, A queda dos Anjos (*.pdf)
Celso MARTINS,
Quedas e declínios (*.pdf)
Ruth ROSENGARTEN, A construção da memória (*.pdf)
David SANTOS,
Hesitação e memória (*.pdf)
Manuel VALENTE ALVES, Hotel Europa (*pdf)