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De um caderno comprado em Coimbra (1993)

Installation De um caderno comprado em Coimbra [From a notebook bought in Coimbra] (1993)

based on 14 inedit poems and a tale on Coimbra by João Miguel Fernandes Jorge, with José Wallenstein (voice) and Eduardo Souto Moura e João Mendes Ribeiro (architecture)

   
 
 
Partial views of the installation. Encontros de Fotografia, Coimbra, 1993



Na instalação De um caderno comprado em Coimbra as palavras não aparecem escritas mas faladas: 14 poemas e um conto da autoria do poeta João Miguel Fernandes Jorge entre 1972 e 1992, directa ou indirectamente ligados a Coimbra, são ditos pelo actor e encenador José Wallenstein, ininterruptamente, através de uma gravação, num espaço especialmente concebido para exposição.

Este espaço, construído no interior do edifício da Casa da Cultura em Coimbra, segundo um projecto desenhado especificamente para a exposição dos arquitectos Eduardo Souto de Moura e João Mendes Ribeiro,. é uma pirâmide de base rectangular, deitada sobre um dos lados, com uma secção no topo, através da qual o visitante entra na instalação. À medida que o visitante caminha em direcção à base da pirâmide, o espaço vai-se dilatando, ao contrário do que sucede na perspectiva. Ao fundo, uma coluna circular oculta parcialmente uma fotografia de grandes dimensões.

Na parede da esquerda, quando se entra, estão expostas 23 fotografias em linha, divididas em três grupos. Todas têm uma barra na parte inferior com a indicação do local – Coimbra – e duas datas que demarcam dois tempos: o da memória da escrita – 1972 a 1992 –, e o da memória das fotografias – 1993, o ano em que foram realizadas. Cada grupo abre com um mosaico romano a cores; segue-se um mapa (no primeiro grupo da região de Coimbra, no segundo da cidade de Coimbra, e no terceiro de um lugar no interior da própria cidade – o Criptopórtico, nos subterrâneos do Museu Machado de Castro); e cinco fotografias, a preto e branco (rigorosamente a preto e branco: sem cinzentos), espécie de fósseis de imagens (resíduos da memória). Todas as imagens se referem, directa ou indirectamente, a Coimbra. Ao fundo vê-se uma fotografia a preto e branco de um pormenor da Sé Velha de Coimbra, a arcada de um nicho.

De um caderno comprado em Coimbra liga o espaço e a memória à ideia de intemporalidade e recriação (da arte, dos mitos), através de três dispositivos: a escrita poética de João Miguel Fernandes Jorge, onde o tempo se dilui nos lugares evocados pelas palavras; fotografias que são reminiscências construídas através da manipulação fotográfica em torno de um conjunto de coordenadas históricas, geográficas e poéticas que definem a identidade de um lugar; a pirâmide, arquitectura primordial que reforça a ideia de ideia de permanência, intemporalidade. [Sinopse]

In the installation From a notebook bought in Coimbra words appear not written but spoken: 14 poems and a short story, written by the poet João Miguel Fernandes Jorge between 1972 and 1992, directly or indirectly related to Coimbra, are said by the actor and scene director José Wallenstein, through a recording in a space specially designed for the exhibition.

This space, built inside the House of Culture building in Coimbra, according to a project by the architects Eduardo Souto de Moura and João Mendes Ribeiro, made specifically as a container of this exhibition, is a pyramid with a rectangular base, one side lying on the floor and a section at the top, through which the visitor enters in the installation. As the visitor walks towards the base of the pyramid, unlike what happens in perspective, the space spreads. In the background, a circular column obliterates partially a large photograph of an architectonic detail.

On the left wall, when we enter in the exhibition, they are exposed 23 photographs in a line sequence, divided into three groups. All have a bar at the bottom indicating the place Coimbra and two dates which define two times: memory’s writing time 1972-1992 –, and memory’s photographing time 1993, the year in which they were created. Each group starts with a Roman mosaic in color; continues with a map (in the first group the of Coimbra region, the second map of the city of Coimbra, and the third map of a place inside the city the Cryptoportic, discovered in the underground of Machado de Castro Museum); and five photographs, black and white (strictly black and white: without gray tones), a kind of images fossilized (waste memory). All images refer directly or indirectly to Coimbra. At the visitor a photo is confronted with a black and white photo showing a detail of the Old Cathedral of Coimbra, the archway of a niche.

On the left wall, when we enter in the exhibition, they are exposed 23 photographs in a line sequence, divided into three groups. All have a bar at the bottom indicating the place Coimbra and two dates which define two times: memory’s writing time 1972-1992 –, and memory’s photographing time 1993, the year in which they were created. Each group starts with a Roman mosaic in color; continues with a map (in the first group the of Coimbra region, the second map of the city of Coimbra, and the third map of a place inside the city the Cryptoportic, discovered in the underground of Machado de Castro Museum); and five photographs, black and white (strictly black and white: without gray tones), a kind of images fossilized (waste memory). All images refer directly or indirectly to Coimbra. At the visitor a photo is confronted with a black and white photo showing a detail of the Old Cathedral of Coimbra, the archway of a niche. [Sinopse]



 
Exhibition

1993 De um caderno comprado em Coimbra, Encontros de Fotografia, Coimbra