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Cadmo e Harmonia (2007)

Installation Cadmo e Harmonia [Cadmus and Harmony] (2007)

   
  
  
 

Partial views of the installation. Casa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada, 2007



"Desde sempre que o trabalho plástico de Manuel Valente Alves se funda numa necessidade de alcançar um âmago – seja dos lugares, das geografias, das incertezas, da (in)coerência, da pertinência, do sujeito ou dos sujeitos, seja do que é, do que foi, do que poderia ter sido. E interroga-se. Sempre. E, ao interrogar-se, interpela-nos. Não é, porém, uma interrogação arbitrária. É um exercício que se vai sucessivamente redefinindo e reformulando, que suporta, que é como um fio condutor, um guia, que o coloca perante as coisas. A auscultação desse real transmuta-o em ‘coisas outras’ que, sendo outras, são as mesmas. A grande diferença reside exactamente na matriz desse olhar que, sem mais, nos retira o visto. É um olhar incisivo, perscrutador de pequenos planos ou de planos abertos, frontais ou perspécticos, mas que tende, quase sempre, a ordenar, a organizar a imagem, seja fotográfica, desenhada ou filmada, ou ainda a sobreposição de todas elas. O recorte e a procura da pureza desse olhar faz-se na aprendizagem da memória mais longínqua, naquilo que de mais residual nela existe.
Numa viagem em arco, Manuel Valente Alves questiona o início de uma poderosa construção mental associada à tradição e, neste caso, à mitologia da Antiguidade Clássica. Não o faz num sentido historicista, procurando antes munir-se de diferentes utensílios e argumentos de reflexão que lhe permitem uma abordagem de autor ao presente que vive, ao passado que permanece, ao futuro que se desconhece. Por isso, [...] nunca mima de modo neutro a realidade. Implica-se nela e dela se distancia depois sem nunca perder este poderoso referencial de memória. [...] Manuel Valente Alves, suspendendo o tempo presente, parando o movimento do céu ao captar uma nuvem ou os movimentos dos mortais no seu quotidiano, cria uma nova tecedura de tempos urdida de silêncios e mutismos. Imobiliza accionando possibilidades de reflexão e de questionamento do presente. É uma abordagem de rigor plástico em diálogo permanente com as indefinições em que a própria mitologia se move. É, em suma, uma possibilidade de caminho aberto para a mudança, para a descoberta, para o encantamento de sermos."
(Ana Isabel Ribeiro, “Lugares de construção”, in catálogo da exposição Cadmo e Harmonia, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada, Setembro de 2007)


"The plastic work of Manuel Valente Alves has always been based on the need to reach the essential core – whether that of the places, the geographies, the uncertainties, the (in)coherency, the pertinence, of the subject or the subjects, no matter what it is, what it was, what it could have been. And it questions. Always. And, when it questions, it demands a response from us. It is not, however, an arbitrary interrogation. It is an exercise that successively redefines and reformulates, that supports, that is like a conducting wire, a guide that brings us face to face with things. The consultation of this reality transforms it into “other things” that, being others, are the same. The great difference resides precisely in the matrix of this look that, of itself, robs us of what is seen. It is an incisive look, an inquirer into small planes or open planes, frontal or in perspective, but which almost always tends to order, to organize the image, whether photographic, drawn or filmed, or even a superimposed composite of all of them. The outline and the search for purity of this look is made in the apprenticeship of the most distant memory, in that which is most residual and still remaining.
In an arch-like journey, Manuel Valente Alves questions the beginning of a powerful mental construction associated to tradition and in this case, the mythology of Classic Antiquity. He does not do this in the sense of a historian, seeking rather to furnish himself with the different tools and arguments for reflection that permit him an artist’s approach to the present that lives, the past that remains, to the future that is unknown. For this reason, this artist never mimics reality in a neutral way. He involves himself in it and distances himself from it afterwards without ever losing this powerful reference of memory. [...] Manuel Valente Alves, suspending the present time, stopping the movement of the sky by capturing a cloud or the movements of mortals in their everyday existence, creates a new tessitura of tempos, contrived
around silences and mutism. He immobilizes by setting in action possibilities of reflection and questioning the present. It is an approach of plastic rigor in permanent dialogue with the vagueness in which mythology itself moves. It is, in short, a possibility for an open road to change, to discovery, to the enchantment of being."
(Ana Isabel Ribeiro, “Places of construction”, in “Manuel Valente Alves – Cadmus and Harmony”, exhibition catalog, Casa da Cerca – Contemporary Art Center, Almada, September 2007)


Exhibition

2007 Cadmo e Harmonia, Casa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada

Book

2007 Cadmo e Harmonia, Casa Da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada


Bibliography

Ana Isabel RIBEIRO, "Lugares de construção" (*.pdf) "Construction locations" (*.pdf)
Emília FERREIRA, "No princípio era o desenho" (*.pdf) "In the beginning was the drawing" (*.pdf)


More information

press release (*.pdf)
list of works in the exhibition (*.pdf)