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Andreas (2003)

Installation Andreas (2003)

 
 

Partial views and images of the installation. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 2003


“Andreas é o título de um romance inacabado de Hofmannsthal (1907-1929). Nessa referência, o presente trabalho é, ainda, exemplo da permanente relação que o artista realiza entre os complexos níveis de realidade cultural em que se move e em que sucessivamente nos coloca: a erudição e o quotidiano, a dimensão lírica e a política, a científica e a filosófica, as linguagens visuais e as literárias.
Tomando o livro como ponto de apoio para uma reflexão sobre o destino cultural ocidental que vem de há muito (série Hotéis, 1991), Valente Alves desenvolve o seu trabalho em várias direcções: dois painéis de fotografias, um DVD, um livro, uma exposição onde se integram obras do próprio Museu Nacional de Arte Antiga e um texto de João Miguel Fernandes Jorge, que, como sempre, é capaz de caminhar pela opacidade das palavras e imagens, de as ir iluminando, redefinindo e multiplicando os seus sentidos.
Por escolha solicitada ao director do Museu (José Luís Porfírio), apresenta-se numa das paredes da grande sala, três imagens em ruínas (duas pinturas religiosas irrecuperáveis e um exercício de desenho arquitectónico sem valor estético próprio). Fronteira, vemos uma Ascensão de Domingos Sequeira (início do século XIX). Esta escolha-confronto é uma muito inteligente leitura do sentido de “Andreas”, (anti?-)herói dividido entre a real dissolução moral e física e o desejo de elevação espiritual. E também um perfeito comentário ao comentário que os painéis fotográficos e o vídeo em si já continham. Nas fotos (100 em cada uma das paredes restantes), organizadas em grelha sobre fundos diversos, um branco e outro preto, vemos imagens de uma natureza humana, construída e em construção (ou desmanchada e em desconstrução?) e imagens da natureza vegetal e animal, lugar para onde se olha como se tudo existisse (as flores, a caça, o verde, a vida) par além de qualquer crise. O DVD revela-se a partir da porta que conduz ao auditório e conduz-nos a um discurso de imagens de todos os lugares possíveis e a situações cuja lógica de encadeamento intuitivo gera um permanente movimento de instabilidade, de alegria, de dissolução...
O livro, esse, tem um história de construção em risco permanente. Situa-nos na fronteira do século XX, data em que a condição moderna do homem errante já domina. Hofmannsthal desejou um ‘romance de construção’ (à imagem da lição de Goethe), mas nunca o concluiu. Foi como se a personagem principal (e todas as outras) fugisse a qualquer possibilidade de elevação espiritual; como se, em permanente risco de dissolução, o desenrolar autónomo da sua história impedisse a concretização da cadeia alquímica (“solve et coagula, conjunctio, purificatio”...) necessária à concretização do projecto de clássica do humano e/ou da conclusão da própria obra artística.”
(João 
Lima Pinharanda, “A continuação do fim”, Jornal Público, 15 de Fevereiro de 2003)

“Andreas is the title of an unfinished novel by Hofmannsthal (1907-1929). In that reference, this work is still example of the ongoing relationship that the artist performs between complex cultural levels of reality in which he moves and in which successively he puts us: the erudition and the daily life, the lyrical dimension and the politics, scientific and philosophical, the visual and literary languages. 
Taking the book as a point of support for a reflection on the Western cultural destiny that comes from long time ago (Hotels 1991 series), Valente Alves develops its work in several directions: two photo panels, a DVD, a book, an exhibition that integrates works of Portuguese National Museum of Ancient Art and a text by João Miguel Fernandes Jorge, who, as always, is able to walk through the opacity of the words and images, lighting them, redefining and multiplying their senses. 
By choice requested to the Director of the Museum (José Luís Porfírio), is presented in one of the walls of the large room, three images in ruins (two unrecoverable religious paintings and an exercise of architectural drawing without proper aesthetic value). In the border, we see a rise of Domingos Sequeira (early nineteenth century). This choice-confrontation is a very intelligent reading of the meaning of ‘Andreas’, (anti-)hero divided between the real moral and physical dissolution and the desire for spiritual elevation. And also a perfect comment to the comment that the photographic panels and the video itself already contained. In the pictures (100 in each of the remaining walls), arranged in a grid on different backgrounds, one white and the other black, we see images of a human nature, constructed and in construction (or cut and in deconstruction?) and images of the vegetable and animal nature, place to where we look as if everything existed (the flowers, the hunting, the green, the life) beyond any crisis. The DVD is revealed from the door that opens to the auditorium and leads us to a discourse of images of all possible places and to situations which intuitive chaining logic generates a permanent movement of instability, joy, dissolution... 
The book, that has a construction history at permanent risk. Located on the border of the twentieth century, when the modern condition of the wandering man already dominates. Hofmannsthal wanted a ‘building roman’ (to the image of Goethe’s lesson), but never completed it. It was as if the main personage (and all others) escape to any possibility of spiritual elevation; as if, at permanent risk of dissolution, the autonomous development of his history prevented the fulfillment of the alchemical chain (‘solve et coagula, conjunctio, purificatio’ ...) needed to achieve the classic construction project of human and / or completion of own artistic work.”
(
João Lima Pinharanda, “The continuation of the end”, Jornal Público, February 15, 2003)




Fragment of the video film Andreas



Exhibition


2003 Andreas, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Book

2003 Andreas, MNAA Instituto Português dos Museus/ MVA Invent, Lisboa


DVD

2003 Andreas, MVA Invent, Lisboa


Selected bibliography

José Luís PORFíRIO, O Despojo e a Imagem (*.pdf) The spoil and the image (*.pdf)
João Miguel FERNANDES JORGE, Um Caminho para a Ruína (*.pdf)
A path to ruin (*.pdf)
João Lima PINHARANDA, A continuação do fim (*.pdf)