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Arte da Memória (1998)

Installation Arte da Memória [Art of Memory] (1998)



Views of the exhibition



O trabalho de Manuel Valente Alves "não cessa de se interrogar sobre os mecanismos de produção das imagens, fazendo-se sempre acompanhar de meditações que, à maneira de comentários quer visuais quer gráficos, transcendem o mero domínio do trabalho da imagem para se projectarem no campo mais vasto da produção simbólica. Um pouco ao modo como opera o cinema de tese de um 
Godard ou de um Straub. [...]
Através da enigmática trama conceptual que até aqui o conduziu, com as herméticas referências à Arte da Memória de Ramón Lull, o místico e filósofo catalão que tanto marcou Tapiès, por exemplo, Valente Alves desenvolve uma espécie de rudimentar gramática das suas imagens que, analógica e algo paradoxalmente reconstrói por um processo digital.

Pelas suas referências eruditas, este trabalho demonstra pois não apenas estabelecer uma grelha conceptual de análise dos processos de virtualização da imagem, como ser também alimentado pela ambição de uma dissolução da própria imagem numa cifra. Ao mesmo tempo que toma da ideia de arte e da sua prática concreta uma espécie de referência memorial - a arte que foi - à qual se refere ainda mas sem que se possa explicitar concretamente no seu comentário o que nessa referência resiste como pregnante

A obra de Valente Alves inaugura deste modo uma etapa radicalmente nova do seu processo interno cujos primeiros resultados desde logo nos deixam antever uma cada vez maior complexificação, ao transferir a ideia de um residual valor cultural para o campo aberto do valor expositivo. Ou seja, aceitando que o médium seja vorazmente atravessado pelo desejo do tecnológico nele arriscando perder a sua própria identidade.

Ao inverter deste modo a grelha do dispositivo benjaminiano de análise da imagem, Valente Alves penetra intuitivamente num campo virgem da expressão artística contemporânea que poucos têm ousado abordar sequer no seu limiar. Esse campo só tem, por agora, um nome: FUTURO.

É com ele que, através destas imagens, rudimentares ainda, já estamos convivendo." 

(Bernardo Pinto de Almeida, “Memória da Arte”, in catálogo da exposição Arte da Memória, Centro Português de Fotografia, Porto, Outubro de 1998)


Manuel Valente Alves’ work doesn’t stop of interrogate itself about the mechanisms of producing images, being always accompanied by meditations of the artist, in the manner of comments, either visuals or graphics, which transcend the mere domain of the work of the image, to be projected in the wider field of the symbolic production. Operating in a similar way as a Godard’s or a Straub’s thesis cinema. [...]

Through the enigmatic conceptual web that led him to this work [Art of Memory], with the hermetic references to the art of Ramon Lull memory, the mystic and Catalan philosopher who marked Tapiès, for example, Valente Alves develops a kind of rudimentary grammar of their images which, analogically and in a certain way paradoxically reconstructs by a digital process.

For their erudite references, this work demonstrates not only to establish a conceptual analysis grid of the image virtualization processes, as also to be powered by the ambition of a dissolution of the image itself in a cipher. At the same time it takes the idea of art and its concrete practice as a kind of memorial reference – art that was – to which it still refers but without being able to explain precisely in its commentary what in that reference resists as pregnant.

Valente Alves work opens thus a radically new stage of its internal process whose first results immediately make us foresee an increasing complexity, by transfering the idea of a residual cultural value for the open space of the exhibitive value. That is, accepting that the medium is voraciously crossed by the desire of the technological, risking in it to loose its own identity.

By reversing, in this way, the Benjamin grid device for the analysis of the image, Valente Alves penetrates intuitively in a virgin field of the contemporary artistic expression that few have tried to address, even in its threshold. This field only has, for now, a name: FUTURE.

It is with the future that, through these images, still rudimentary, we are already living.” 

(Bernardo Pinto de Almeida, “Memory of Art” in “Art of Memory”, exhibition catalog, Portuguese Center of Photography, Porto, October 1998)





Exhibition

1998 Arte da Memória, Centro Português de Fotografia, Porto


Selected bibliography

Bernardo PINTO DE ALMEIDA, Memória da Arte (*.pdf)
Helena de FREITAS, Entrevista a Manuel Valente Alves (*.pdf)
João SOUSA CARDOSO, Manuel Valente Alves ou o elogio do diálogo (*.pdf)

Manuel VALENTE ALVES, Arte da Memória (*.pdf)