EXHIBITIONS‎ > ‎

Ao longe o céu (2016)

Installation Andar nas Nuvens [Walking on the Clouds] (2017)

with Carla Cabanas



View of the installation. Casa-Museu Medeiros e Almeida, Lisboa, 2016


Inkjet print 120 x 160 cm




No início do terceiro milénio, numa cultura que nos remete incessantemente para as possibilidades do controlo tecnológico do mundo e da natureza, os sinais da nossa fragilidade e efemeridade não são evidentes, pelo que a interrogação sobre esta condição está no centro de inúmeras propostas artísticas (e filosóficas) contemporâneas, que a discutem de forma mais ou menos politizada, de forma mais ou menos filosófica, mas manifestamente recorrente. [...] Partindo da contemplação de dois quadros do pintor holandês Jan van Goyen (1596-1656), existentes na Casa-Museu Fundação Medeiros e Almeida, “Bom tempo” e “Mau tempo”, quadros dominados por, respectivamente, nuvens brancas ou negras, Manuel Valente Alves e Carla Cabanas desenvolvem dois projectos que interrogam essa relação cósmica do sujeito com o mundo e a forma como céu e terra se constituem como mediadores fundamentais da compreensão do ser humano sobre si mesmo.[...] Nas duas projecções e uma fotografia de Manuel Valente Alves, a oposição entre o chão – a areia, mas também o ponto de vista rasteiro do cão da fotografia – e o céu convoca a urgência em pensar a percepção do espaço que envolve o sujeito como uma percepção alienada, dominada pelo ponto de vista ortogonal e perspéctico que domina a visão ocidental desde o Renascimento. Este ponto de vista é aqui colocado em causa, não para um regresso ao misticismo medieval, mas no sentido de uma reflexão sobre a pulsão do homem para a omnipotência, para o esquecimento de si enquanto ser humano, para além das ilusões de grandiosidade que o dominam secularmente. O longínquo céu tornado próximo no espaço da galeria torna-o um espaço dramático no qual, ao contrário da percepção desatenta de todos os dias, muitas coisas acontecem que reflectem a vida cá em baixo: as nuvens de todos os tipos, o avião que cruza os céus, a limpidez ocasional destes onde nada parece acontecer, tudo são pretextos para uma reflexão sobre a transitoriedade e a passagem do tempo. 
(Margarida Medeiros, “Andar nas Nuvens – duas propostas para um diálogo entre a terra e os céus”, in: Catálogo da exposição Andar nas Nuvens, Casa-Museu Medeiros e Almeida, Lisboa, 2016)

“In the beginning of the third millennium, in a culture that constantly brings 
us to the possibilities of technological control of the world and nature, the signs of our fragility and transience are not clear, so the question about this condition is at the center of numerous artistic (and philosophical) contemporary proposals, that discuss it, in a more or less politicized way, in a more or less philosophical way, but obviously recurrent. [...] From the contemplation of two paintings by Dutch painter Jan van Goyen (1596-1656), existing in the House-Museum Medeiros e Almeida Foundation, ‘Good weather’ and ‘Bad weather’, paintings dominated by, respectively, white or black clouds, Manuel Valente Alves and Carla Cabanas develop two projects that interrogate this cosmic relationship of the subject with the world and how sky and earth are essential mediators of the understanding of human being about himself. [...] In the two projections and a photograph of Manuel Valente Alves, the opposition between the ground – the sand, but also the creeping point of view of a dog photograph ​ – and the sky calls the urgency to think the perception of the space around the subject as a perception alienated, dominated by orthogonal view and of perspective that dominates the western view from the Renaissance. This view is here put in question, not for a return to medieval mysticism, but in the sense of a reflection on the instinct of man to omnipotence, to the forgetfulness of himself as a human being, apart from the illusions of grandiose that dominate him secularly. The distant sky that becomes near in the gallery space transforms it in a dramatic space where, unlike the inattentive perception of every day, many things happen that reflect life here below: clouds of all kinds, the plane that crosses the skies, the occasional clearness of these where nothing seems to happen, all are pretexts to reflect on the transience and the passage of time.” 

(Margarida Medeiros, “Walking on the Clouds – two proposals for a dialogue between earth and sky”, in “Walking on the Clouds”, exhibition catalog, Casa-Museu Medeiros e Almeida, Lisbon, 2016)



Exhibition

2016 Andar nas Nuvens [Walking on the Clouds] (with Carla Cabanas), Casa-Museu Medeiros e Almeida, Lisboa [curator: Margarida Medeiros]


Bibliography

Margarida MEDEIROS,
"Andar nas Nuvens/ Walking on the Clouds" (*.issuu) "Andar nas Nuvens/ Walking on the Clouds" (*.pdf)
José Luis PORFÍRIO, "Nada é permanente salvo a mudança"


More information

Exhibition catalog PT/EN (*.isuu) 
Convite (*.pdf)
 
Invitation (*.pdf)