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A Morte de Virgílio (2000)

Installation A Morte de Virgílio [The Virgil's Death] (2000)

with Maria Filomena Molder

     
 
Partial views of the installation. Galeria Diferença, Lisboa, 2000
 


“O novo trabalho de Manuel Valente Alves, na Galeria Diferença, insiste na articulação de duas vertentes essenciais: a recuperação (ou construção) da memória através da convocação simultânea dos registos da palavra e da imagem. Sendo impossível (ou artificial) o desejo de hierarquizar em cada trabalho a prevalência de um ou de outro elemento, é evidente a sustentação da imagem pelo peso interpretativo da palavra. Mais ainda quando no título, A Morte de Virgílio, se cita o título de uma obra literária e da instalação faz parte integrante um texto de reflexão crítica [da autoria de Maria Filomena Molder]. 
Para o visitante da sala, é uma instalação composta por elementos que vai percebendo em tempos diversos: um conjunto de três elementos visuais e um elemento escrito. Na parede frontal, pintada de vermelho, alinham-se três molduras iguais, à sua esquerda, num monitor, um pequeno cão ladra, esgravata o chão, roda sobre si mesmo num loop interminável, à direita, uma imagem enorme mas discreta reproduz em papel vegetal o alçado de um templo romano.
As três molduras têm conteúdos diversos: um espelho negro, um espelho e a fotografia de um céu cinzento (supostamente tirada na vertical do lugar) onde se inscreve a silhueta de uma ave (numa tomada de vista ventral). Depois deste percurso visual e auditivo (os insistentes latidos e o rumor incessante de uma autoestrada) o visitante terá acesso a um texto.
Em qualquer dos casos encontramo-nos perante tempos diversos de visão/leitura dos elementos: a sucessão de molduras coloca-nos perante a questão da reprodução da imagem e da luz, da história pintura e da fotografia, do retrato e da paisagem (temas que o próprio artista tem tratado exaustivamente), desencadeando percursos de aproximação e afastamento, (auto-)identificação e deslocação metafórica: o monitor conduz-nos para a terra (mudança que o texto nos confirmará) e, de novo, para um conjunto de desmultiplicações semânticas; o templo (romano, porque erguido sobre um soclo, e não grego) situa-nos num
tempo específico (que coincide com o da civilização a que Virgílio pertenceu), embora também no tempo genérico do classicismo greco-latino ou no espírito de todos os classicismos – que é o da nostalgia do modelo ideal perdido e nunca alcançado.”
(João Lima Pinharanda, “O Trânsito da Vida e da Morte”, Jornal Público, Lisboa, 17 de Março de 2000)


“The new work of Manuel Valente Alves, exhibited in the Gallery Diferença, insists in the articulation of two essential parts: the recovery (or construction) of memory through the simultaneous convening of the word and the image registrations. Being impossible (or artificial) the desire to hierarchize in each work the prevalence of one or another element, it is evident the support of the image by the interpretative weight of the word. Even more when in the title, The Death of Virgil, cites the title of a literary work and critical reflection text [by Maria Filomena Molder] is an integrant part of the installation.
For the visitor of the room, it is an installation composed by elements that he is going to understand in different times: a set of three visual elements and a writing element. On the front wall, red painted, are aligned three identical frames, on your left, in a monitor, a small dog barks, aggravate the ground, turn on itself in an endless loop, on the right, an enormous but discreet image reproduces on vegetal paper an architectonic plan of a Roman temple.
The three frames have different contents: a black mirror, a mirror and a photograph of a gray sky (supposedly taken on the vertical of the place) where it is inscribed the silhouette of a bird (taken in a ventral view). After this visual and sound pathway (the insistent barking and the incessant rumor of a freeway) the visitor will have access to a text.
In any case we are faced to different times of vision/reading of the elements: a succession of frames confronts us with the question of image and light reproduction, of the history of painting and photography, of the portrait and landscape (themes that the artist himself has dealt extensively), triggering routes of approximation and distance, (self-)identification and metaphoric displacement: the monitor leads us to the land (a change that will be confirmed by the text) and, again, for a set of
transmission ratios semantic; the temple (Roman, because it is built on a soclo, and not Greek) is located in a specific time (which coincides with the civilization that Virgil belonged), but also in the generic time of the Greco-Latin classicism or in the spirit of all classicisms – that is the spirit of the nostalgia of the ideal model lost and never reached.”
(João Lima Pinharanda, “The transit of life and death”, Jornal Público, Lisbon, March 17, 2000)




video still


Exhibition


2000 A Morte de Virgílio, Galeria Diferença, Lisboa


Selected bibliography

Maria Filomena MOLDER, Morte de Virgílio (*.pdf)
João Lima PINHARANDA, O trânsito da vida e da morte (*.pdf)