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Ermida de Paiva (1987)

Series Ermida de Paiva (1987)

  


B/W phtographs



"As fotografias que Valente Alves agora expõe formam uma colecção homogénea e coerente, em que as imagens retratam algo mais do que o espaço interior de uma antiga e velha capela, que é a realidade objectiva que lhes deu origem.
O que ao fotógrafo sobretudo interessou comunicar-nos dessa realidade foi a atmosfera quase imaterial, feita de poalha de luz, a qual está em permanente diálogo com as coisas, umas vezes discretamente disseminada, espelhada, revelando a superfície acetinada do pavimento de macieira polido pelo tempo, outras violenta e obsessiva, destacando a rudeza da textura dos espessos muros de granito que delimitam o espaço.
Assim, o tema é, em boa parte, mero pretexto, pois o que mais conta é uma espécie de conluio secreto que com ele o autor estabelece, conivência cúmplice e ambígua que se apercebe no resplendor que das imagens emana. Imagens eivadas de abstracção e de interioridade, que menos revelam e comentam do que sugerem, e que, afinal, na sua beleza serena e comovente, acabam por retratar, sobretudo, o fotógrafo e pintor que as criou.
Ao transfigurar as imagens pela subjectividade da sua visão, Valente Alves impregna-as de uma luminosidade surreal e de um misterioso fascínio, que nos levam a reflectir sobre a realidade oculta das coisas, e que geram a sugestão nostálgica desses outros espaços, igualmente cerrados, que Bachelard tão lucidamente analisou: os das velhas casas e móveis, das gavetas e caixas da nossa infância e, também, os do mundo interior da memória, todos povoados de velhos objectos inúteis, de recordações esmaecidas, e de sonhos nunca concretizados."
(Manuel Costa Martins, “Prefácio” in desdobrável da exposição ”Fotografias”, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Abril de 1987)


"The photographs that Valente Alves now exhibits form a homogeneous and coherent collection, in which the images depict something more than the interior space of old chapel, which is the objective reality that gave rise to them.
What the photographer most interested in communicating to us about this reality was the almost immaterial atmosphere, made of light weight, which is in permanent dialogue with things, sometimes discreetly disseminated, mirrored, revealing the satiny surface of the polished apple tree pavement time, other violent and obsessive, highlighting the roughness of the texture of the thick granite walls that delimit the space.
Thus, the theme is largely a pretext, for what counts most is a kind of secret collusion with which the author establishes, complicit and ambiguous connivance that perceives itself in the radiance that emanates from the images. Images of abstraction and interiority that less reveal and comment than they suggest, and that, after all, in their serene and moving beauty, they end up portraying, above all, the photographer and painter who created them.
By transfiguring the images by the subjectivity of his vision, Valente Alves impregnates them with a surreal luminosity and a mysterious fascination, which lead us to reflect on the hidden reality of things, and which generate the nostalgic suggestion of these other equally closed spaces, which Bacchard so lucidly analyzed: those of the old houses and furniture, the drawers and boxes of our childhood, and also those of the inner world of memory, all populated with old useless objects, faded memories, and dreams never materialized."
(Manuel Costa Martins, "Preface" in foldout of the exhibition"Photographs", National Society of Fine Arts, Lisbon, April 1987)




Exhibition

1987 Fotografias, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa 
1987 Fotografias, Centro de Estudos de Fotografia, Coimbra 
1987 Fotografias, Árvore, Porto 

Bibliography

Manuel Costa MARTINS, "Prefácio" (*.pdf)