DRAWING‎ > ‎

Mont Ventoux (2005)

Series L'Ascension du Mont Ventoux (2005)

  
  
  


Pencil and acrylic on paper
24,0 x 32,0 cm each  


"Hoje subi a montanha mais alta nesta região, que é justamente chamada [Monte] Ventoso, guiado apenas pelo desejo de ver a extraordinária altitude do lugar. Há vários anos alimentava esse projecto, pois, desde a minha infância, como sabeis, fui levado a estes lugares pelo destino que conduz as coisas humanas. Esta montanha, que se vê de todos os lugares, está quase sempre à frente dos olhos.Eu decidi finalmente fazer o que fazia diariamente, ainda mais que no dia anterior, ao reler a história romana de Tito Lívio, caí por acaso na passagem onde Filipe, rei da Macedónia, que fez guerra ao Povo romano, subiu ao Monte Hemus na Tessália, do cume do qual ele acreditou, por ouvir dizer, que se podiam ver dois mares: o Adriático e o Mar Negro. Verdadeiro ou falso? Nada posso afirmar, porque esta montanha está muito longe da nossa região, e que a dissidência dos escritores torna o facto duvidoso. [...] 
Os homens podem admirar os cumes das montanhas, as ondas do mar, o vasto curso dos rios, os circuitos do oceano, as revoluções das estrelas, rendendo-se à natureza. Fiquei absolutamente deslumbrado, admito, e orando meu irmão, ávido de ouvir, para não me atrapalhar, fechei o livro. Estava irritado comigo próprio por só agora admirar as coisas da Terra, quando há muito deveria ter aprendido na própria escola dos filósofos dos gentios que não há nada tão admirável como a alma, para a qual, quando ela é grande, nada é grande. Então, descobrindo que tinha visto o suficiente da montanha, virei para mim os meus olhares interiores, e desde esse momento ninguém mais me ouviu falar até chegarmos à base da montanha."
(Petrarca, "A Minha Ascensão no Monte Ventoux" [Carta a Dionigio da Borgo San Sepolcro, monge agostiniano], 1335)


"J’ai fait aujourd’hui une ascension sur la plus haute montagne de cette contrée que l’on nomme avec raison le Ventoux, guidé uniquement par le désir de voir la hauteur extraordinaire du lieu. Depuis plusieurs années je nourrissais ce projet, car, dès mon enfance, comme vous le savez, j’ai été mené dans ces lieux par le destin qui mène les choses humaines. Cette montagne, que l’on découvre au loin de toutes parts, est presque toujours devant les yeux. Je résolus de faire enfin ce que je faisais journellement, d’autant plus que la veille, en relisant l’histoire romaine de Tite-Live, j’étais tombé par hasard sur le passage où Philippe, roi de Macédoine, celui qui fit la guerre au peuple romain, gravit le mont Hémus en Thessalie, du sommet duquel il avait cru, par ouï-dire, que l’on apercevait deux mers : l’Adriatique et l’Euxin. Est-ce vrai ou faux ? Je ne puis rien affirmer, parce que cette montagne est trop éloignée de notre région, et que le dissentiment des écrivains rend le fait douteux. [...]  
Les hommes s’en vont admirer les cimes des montagnes, les vagues de la mer, le vaste cours des fleuves, les circuits de l’Océan, les révolutions des astres, et ils se délaissent eux-mêmes. Je fus frappé d’étonnement, je l’avoue, et priant mon frère, avide d’entendre, de ne pas me troubler, je fermai le livre. J’étais irrité contre moi même d’admirer maintenant encore les choses de la terre, quand depuis longtemps j’aurais dû apprendre à l’école même des philosophes des gentils qu’il n’y a d’admirable que l’âme pour qui, lorsqu’elle est grande, rien n’est grand. Alors, trouvant que j’avais assez vu la montagne, je détournais sur moimême mes regards intérieurs, et dès ce moment on ne m’entendit plus parler jusqu’à ce que nous fussions parvenus en bas." 
(Pétrarque, "Mon ascension sur le Mont Ventoux" [Lettre à Dionigio da Borgo San Sepolcro, moine Agustin],1335)